_Ei motorista, eu fui roubado, estou indo ao parque florestal encontrar a minha tia, será que você pode me da uma carona ?
_Nao sei, o fiscal está ali, você foi roubado?
_Sim - repondi com uma feiçao chorosa - roubaram meu tênis e o dinheiro.
_Hum.. Passa ai por debaixo da catraca.
Era um ônibus amarelo, bem usado, com poltronas marrons, não havia muitos passageiros. Sentei-me na última fileira. A janela era larga , via bem por onde o onibus passava. Logo um sentimento, uma curiosidade foi se apossando. Que tal conhecer Anápolis? Será que o interior é tão bom quanto a capital ? O desejo de ir ao parque passara, a mentira contada ao motorista, de nada me valia. Em menos de uma hora, lá estava eu em Anapolis. Sem dinheiro, Sem documentos, sem responsabilidade, sem medo.
Desembarco na rodoviária, que fome! que sede! que alegria! Estou longe de casa há uma semana e meia. Longe do medo. Ah, o ar eh mais puro longe do berço. O suplício familiar não me alcançava.
A barriga ronca, e tem pressa. Havisto um MCDonald's, é terça-feira, R$ 0.89 centavos um hamburg. Não será difíciel conseguir algum. Sento no banco em frente ao estabelecimento, a calça jeans preta, a camisa branca com quadrados xadrez, a sandália havaiana, a minha cara desesperada de fome não fica imperceptivel. Ganho dois hamburgueres e uma coca-cola em lata do gerente. Filântropia capitalista. Volto à rodoviária, o crepúsculo se anuncia entre os poucos prédios. Há na rodoviária um orgão que protege, contra eles mesmos, os imigrantes, vagabundos e mendigos. Oba! tenho onde durmir. Uma seção com camas nas própria rodoviária. Mas não estou sozinho, onde há lama, há porcos. A imundície é solidária.
Conheço Renato, um paraense, tinha cabelos liso e curto, a pele clara, um metro e setenta, e era magro. Um sujeito que largou a família e se picou pra Goiânia, devido há mazelas inerentes À todos que não nascem pra viver e sim pra encher a barriga, estava tentando regressar pra sua terra com o fracasso, o opróbio, e uma alegria, a velha alegria por ainda estar vivo, que me contagiava pouco a pouco.
_Como veio parar aqui ? - perguntei-lhe.
_Vim à pé. Fui roubado na capital e, desde segunda estou na estrada. E você ?
_Eu quero ir por ai, estou de férias e quero aproveitá-las.
_ Você não tem medo, quantos anos tens? - perguntou-me coçando a cabeça.
_Tenho muito, meu maior medo é voltar.
_ E a sua idade?
_13.
_Ah, tu é muito novo, não sabe do que está falando.
_Que revistas são essas ai ?
_HQ do Batman.
Noutro dia cedo, emocionado por passar a primeira noite sozinho fora da minha cidade natal, após lavar a cara no banheiro, vou até os guich?s. Bahia, Brasília, S?o Paulo, Minas ... O brasil todo num só lugar. Aonde ir? Como ir ?
Dentre cidades e cidades escolhi por estética nominal Chapecó-SC.
_Moço quanto custa a passagem para Chapecó?
_R$ 150,00. Você vai sozinho?
Muito caro - pensei.
_E para Londrina?
_R$ 75,00. Você vai sozinho?
_Sim. Sabe o que é? Eu morava com meu pai em Goiânia, minha mãe mora em Londrina. Um dia eu fui jogar bola quando eu voltei, não tinha nenhum móvel em casa. Me pai desapareceu. E agora eu quero ir pra Londrina encontrar com a minha mãe. Você pode me ajudar?
_Menino, eu sou apenas funcionário da empresa, se eu pudesse te ajudaria. Mas faça assim: Suba esta avenida, vire a primeira a direita, passando duas quadras dobre a esquerda e siga reto. Você chegará ao terminal de ônibus coletivos. Sabe o que é isso ?
_Claro.
_Então, quando você chegar nesse terminal, vai ter uma praça com um prédio azul, que é da prefeitura. Entra e pergunta onde fica o conselho tutelar. Peça para falar com Laura. Ela deve arrumar a passagem pra você.
_Sério, ela me dá a passagem?- perguntei inocentemente, mal sabendo o mal que me aguardava.
_Sim, pode ir lá que é certeza.
_Obrigado, senhor.
Anápolis é uma cidade com 150 mil habitantes. Clima agradável e tem um grande pólo industrial, além de ter umas das Bases da Força Aérea Brasileira devido a sua localização centralizada. Chego no terminal sem problemas. Entrando no prédio azul, com suas muitas repartições públicas - tenho que me higieniza!, 1° mandamento ao entrar em contato com pessoas públicas - havisto uma sala cujo na porta lê-se: Conselho Tutelar.
_Bom dia, a Laura está? - interroguei o guarda quando saia da sala.
_Sou eu -respondeu-me uma mulher com os cabelo curto e avermelhado.
_D. Laura, me chamo Marco e quero uma passagem para Londrina.
_A verba pra passagens deste mês acabou, volte mês que vem.
Maldiçâo! Estou com fome! Fome, meu álibi. Pense em quantas cosas posso fazer em nome da fome. Comer de graça. Graças a uma técnica que praticava há quase três anos, não morreria de fome. Do qual chamava de 'Trote'. Consistia em entrar no estabelecimento lanchar e, na hora de pagar, fingir que perdi o dinheiro. Claro, que havia a parte teatral da coisa. Uma cara de coitadinho, um semblante quase vertendo-se em lágrimas e uma punição por ter perdido a grana, que seria inflingida pela a dona do dinheiro: minha mãe. Entrei na lanchonete como de costume, olhei o lugar. Dois balcões, dois freezer, o dono parecia amigável, daria pra lanchar uns três reais sem problemas. Saí alegre e satisfeito.
Na rodoviária encontro com Renato e com seu novo amigo: O vendedor de giz pra matar baratas. Ele compra o giz na capital e sai vendendo no interior pelo triplo do preço. Noutro dia cedo, nos propõe que cada um leve 20 gizes para vender à três reais cada. Um terço seria nosso o resto seria dele. Puta que pariu, teria que vender, no minímo, 225 gizes para vadiar em Londrina. Que eu só conheceria 3 anos depois.
Pois bem, pus-me a perambular com a sacola de giz. Entrando e saindo das lojas, ofercendo o milagroso matador, das quase imortais baratas. Ninguém, nenhum um individúo, quis experimentar essa novidade. Era só riscar no chão linhas horizintais, que quando a dona baratildes passasse, bateria as botas, morreria sorrindo com as pernas pro ar.
_Nao sei, o fiscal está ali, você foi roubado?
_Sim - repondi com uma feiçao chorosa - roubaram meu tênis e o dinheiro.
_Hum.. Passa ai por debaixo da catraca.
Era um ônibus amarelo, bem usado, com poltronas marrons, não havia muitos passageiros. Sentei-me na última fileira. A janela era larga , via bem por onde o onibus passava. Logo um sentimento, uma curiosidade foi se apossando. Que tal conhecer Anápolis? Será que o interior é tão bom quanto a capital ? O desejo de ir ao parque passara, a mentira contada ao motorista, de nada me valia. Em menos de uma hora, lá estava eu em Anapolis. Sem dinheiro, Sem documentos, sem responsabilidade, sem medo.
Desembarco na rodoviária, que fome! que sede! que alegria! Estou longe de casa há uma semana e meia. Longe do medo. Ah, o ar eh mais puro longe do berço. O suplício familiar não me alcançava.
A barriga ronca, e tem pressa. Havisto um MCDonald's, é terça-feira, R$ 0.89 centavos um hamburg. Não será difíciel conseguir algum. Sento no banco em frente ao estabelecimento, a calça jeans preta, a camisa branca com quadrados xadrez, a sandália havaiana, a minha cara desesperada de fome não fica imperceptivel. Ganho dois hamburgueres e uma coca-cola em lata do gerente. Filântropia capitalista. Volto à rodoviária, o crepúsculo se anuncia entre os poucos prédios. Há na rodoviária um orgão que protege, contra eles mesmos, os imigrantes, vagabundos e mendigos. Oba! tenho onde durmir. Uma seção com camas nas própria rodoviária. Mas não estou sozinho, onde há lama, há porcos. A imundície é solidária.
Conheço Renato, um paraense, tinha cabelos liso e curto, a pele clara, um metro e setenta, e era magro. Um sujeito que largou a família e se picou pra Goiânia, devido há mazelas inerentes À todos que não nascem pra viver e sim pra encher a barriga, estava tentando regressar pra sua terra com o fracasso, o opróbio, e uma alegria, a velha alegria por ainda estar vivo, que me contagiava pouco a pouco.
_Como veio parar aqui ? - perguntei-lhe.
_Vim à pé. Fui roubado na capital e, desde segunda estou na estrada. E você ?
_Eu quero ir por ai, estou de férias e quero aproveitá-las.
_ Você não tem medo, quantos anos tens? - perguntou-me coçando a cabeça.
_Tenho muito, meu maior medo é voltar.
_ E a sua idade?
_13.
_Ah, tu é muito novo, não sabe do que está falando.
_Que revistas são essas ai ?
_HQ do Batman.
Noutro dia cedo, emocionado por passar a primeira noite sozinho fora da minha cidade natal, após lavar a cara no banheiro, vou até os guich?s. Bahia, Brasília, S?o Paulo, Minas ... O brasil todo num só lugar. Aonde ir? Como ir ?
Dentre cidades e cidades escolhi por estética nominal Chapecó-SC.
_Moço quanto custa a passagem para Chapecó?
_R$ 150,00. Você vai sozinho?
Muito caro - pensei.
_E para Londrina?
_R$ 75,00. Você vai sozinho?
_Sim. Sabe o que é? Eu morava com meu pai em Goiânia, minha mãe mora em Londrina. Um dia eu fui jogar bola quando eu voltei, não tinha nenhum móvel em casa. Me pai desapareceu. E agora eu quero ir pra Londrina encontrar com a minha mãe. Você pode me ajudar?
_Menino, eu sou apenas funcionário da empresa, se eu pudesse te ajudaria. Mas faça assim: Suba esta avenida, vire a primeira a direita, passando duas quadras dobre a esquerda e siga reto. Você chegará ao terminal de ônibus coletivos. Sabe o que é isso ?
_Claro.
_Então, quando você chegar nesse terminal, vai ter uma praça com um prédio azul, que é da prefeitura. Entra e pergunta onde fica o conselho tutelar. Peça para falar com Laura. Ela deve arrumar a passagem pra você.
_Sério, ela me dá a passagem?- perguntei inocentemente, mal sabendo o mal que me aguardava.
_Sim, pode ir lá que é certeza.
_Obrigado, senhor.
Anápolis é uma cidade com 150 mil habitantes. Clima agradável e tem um grande pólo industrial, além de ter umas das Bases da Força Aérea Brasileira devido a sua localização centralizada. Chego no terminal sem problemas. Entrando no prédio azul, com suas muitas repartições públicas - tenho que me higieniza!, 1° mandamento ao entrar em contato com pessoas públicas - havisto uma sala cujo na porta lê-se: Conselho Tutelar.
_Bom dia, a Laura está? - interroguei o guarda quando saia da sala.
_Sou eu -respondeu-me uma mulher com os cabelo curto e avermelhado.
_D. Laura, me chamo Marco e quero uma passagem para Londrina.
_A verba pra passagens deste mês acabou, volte mês que vem.
Maldiçâo! Estou com fome! Fome, meu álibi. Pense em quantas cosas posso fazer em nome da fome. Comer de graça. Graças a uma técnica que praticava há quase três anos, não morreria de fome. Do qual chamava de 'Trote'. Consistia em entrar no estabelecimento lanchar e, na hora de pagar, fingir que perdi o dinheiro. Claro, que havia a parte teatral da coisa. Uma cara de coitadinho, um semblante quase vertendo-se em lágrimas e uma punição por ter perdido a grana, que seria inflingida pela a dona do dinheiro: minha mãe. Entrei na lanchonete como de costume, olhei o lugar. Dois balcões, dois freezer, o dono parecia amigável, daria pra lanchar uns três reais sem problemas. Saí alegre e satisfeito.
Na rodoviária encontro com Renato e com seu novo amigo: O vendedor de giz pra matar baratas. Ele compra o giz na capital e sai vendendo no interior pelo triplo do preço. Noutro dia cedo, nos propõe que cada um leve 20 gizes para vender à três reais cada. Um terço seria nosso o resto seria dele. Puta que pariu, teria que vender, no minímo, 225 gizes para vadiar em Londrina. Que eu só conheceria 3 anos depois.
Pois bem, pus-me a perambular com a sacola de giz. Entrando e saindo das lojas, ofercendo o milagroso matador, das quase imortais baratas. Ninguém, nenhum um individúo, quis experimentar essa novidade. Era só riscar no chão linhas horizintais, que quando a dona baratildes passasse, bateria as botas, morreria sorrindo com as pernas pro ar.

2 comentários:
e a continuação?!
(:
quero o resto da historia
ta emoção o negocio!
=]
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